Publicado em 02/12/2020.

Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)

Imagem mamadeira 2Imagem: Freepik

Bianca Figueiredo de Mendonça Pereira, aluna do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS) do INCQS, teve seu artigo publicado em novembro na revista Food Analytical Methods, cuja classe de antimicrobianos pesquisados, os macrolídeos, são considerados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) como criticamente importantes e que devem ser priorizados em relação a medidas para conter a resistência aos antimicrobianos.

O objetivo do estudo, tema da dissertação de Mestrado Acadêmico da aluna, foi desenvolver um método analítico simples e rápido, baseado em um método de extração QuEChERS modificado, capaz de determinar resíduos de cinco antimicrobianos da classe dos macrolídeos (eritromicina, espiramicina, oleandomicina, tilmicosina e tilosina) em fórmulas infantis produzidas a partir de leite bovino.

O método proposto baseou-se na extração QuEChERS em meio alcalino, diferente da maioria dos métodos QuEChERS que empregam meio ácido para a extração das substâncias de interesse. O método desenvolvido e validado mostrou-se apto para a determinação de níveis residuais dos antimicrobianos pesquisados e os baixos limites de detecção possibilitaram a identificação de resíduos em 76,7% das amostras avaliadas.

"Devido à alta frequência de resíduos de certos macrolídeos verificada em um estudo anterior realizado com amostras de leite UHT (Ultra High Temperature, em inglês), também conhecido como longa vida ou leite de caixinha, foi hipotetizado que estas substâncias também poderiam estar presentes na fórmula infantil, considerando que ambos os produtos são produzidos a partir de leite cru. É importante ressaltar que não há Limites Máximos de Resíduos (LMRs) ou tolerâncias para antimicrobianos em fórmulas infantis no Brasil e a sua detecção configura uma não-conformidade, pois não é aceitável pela legislação", explica Bernardete Ferraz Spisso, orientadora de Bianca, do Setor de Resíduos do Laboratório de Alimentos do Departamento de Química (DQ) do INCQS.

Bernardete Spisso informa que a OIE desenvolveu uma lista de agentes antimicrobianos criticamente importantes em medicina veterinária e a OMS uma lista de agentes antimicrobianos criticamente importantes na medicina humana.

Segundo ela, o uso dos macrolídeos na medicina veterinária se faz necessário pois não há, ou há poucas alternativas para o tratamento de algumas doenças em espécies-alvo, tais como infecções por micoplasma em suínos e aves, doença digestiva hemorrágica em suínos, abscessos hepáticos e infecções respiratórias em bovinos.

"Quanto à lista da OMS, os macrolídeos foram considerados criticamente importantes, de máxima prioridade, pois são conhecidos por selecionar a bactéria Campylobacter spp. resistente a macrolídeos em animais, especialmente Campylobacter jejuni em aves. Essas bactérias podem ser transferidas para humanos pela ingestão de alimentos contaminados, principalmente frango, e provocar toxinfecções. A incidência de campilobacteriose é alta, bem como o número absoluto de casos graves, e particularmente em crianças, para as quais as quinolonas (antibióticos) não são recomendadas para tratamento, os macrolídeos são uma das poucas terapias disponíveis", detalha.

De acordo com Bernardete os principais desafios para este estudo foram as dificuldades na aquisição de padrões e de amostras e a necessidade de suspender temporariamente os estudos para manutenção do principal equipamento utilizado, o que reduziu o tempo disponível para completar a otimização e validação do método analítico, sem comprometer os prazos para a defesa da dissertação.

O trabalho é de autoria de Bianca Figueiredo de Mendonça Pereira, ao lado de Mararlene Ulberg Pereira, Rosana Gomes Ferreira e Bernardete Ferraz Spisso, todas do Setor de Resíduos do Laboratório de Alimentos do DQ do instituto.

Acesse o artigo aqui (em inglês).