Publicado em 13/11/2018.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/ Fiocruz)
 
DSC02755Foto: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/ Fiocruz)
 
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou o projeto do INCQS, que consiste em um sistema de detecção rápida e de baixo custo de genes de resistência em bactérias causadoras de infecções sexualmente transmissíveis (IST) não cultiváveis a partir de material clínico por PCR em tempo real e High Resolution Melting (HRM). O estudo fez parte da chamada CNPq/MS-DIAHV Nº 11/2018, que tem por objetivo o desenvolvimento de pesquisas em vigilância, prevenção e controle das IST, HIV, AIDS e Hepatites Virais (HV).
 
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as IST constituem os cinco tipos de doenças para os quais adultos em todo o mundo mais procuram ajuda médica. Dentre as IST causadas por bactérias estão a Neisseria gonorrhoeae (agente da gonorreia), a Chlamydia trachomatis e o Treponema pallidum (agente da sífilis).
 
As infecções bacterianas sexualmente transmissíveis mais frequentes no mundo juntas, contagiam mais de 340 milhões de pessoas por ano, sendo 131 milhões por clamídia, 78 milhões por gonorreia e 5,6 milhões por sífilis. No Brasil, o cenário estimado não é muito diferente, como apenas os casos de HIV e de sífilis em gestantes e bebês são notificados obrigatoriamente ao Ministério da Saúde, é difícil ter estatísticas gerais mais fidedignas.
 
O estudo do INCQS, teve como objetivo determinar a presença de genes associados à resistência a antibióticos específicos, diretamente do material clínico. A presença de genes específicos ou a detecção de mutações pontuais em genes constitutivos associados à resistência, podem ser detectadas PCR em Tempo Real com HRM (qPCR-HRM).
 
O projeto, propõe a utilização da qPCR-HRM para o diagnóstico dos agentes etiológicos e para a detecção de genes envolvidos na resistência à antibióticos específicos. "Além de possibilitar a detecção da resistência aos antibióticos de escolha diretamente a partir do material clínico, a qPCR-HRM apresenta um custo-benefício bastante alto, pois é um método rápido, com alta sensibilidade e especificidade, e custo muito menor por não utilizar sondas", explica Ivano de Filippis, coordenador do projeto e coordenador do Programa de Pós-Graduação (PPGVS) do INCQS.
 
O projeto conta com a colaboração de Antônio Eugênio de Almeida, atual diretor da unidade; Debora Ribeiro, aluna de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS/ INCQS); e Claudia Andrade, técnica do Departamento de Microbiologia (DM).