Publicado em 31/10/2018.
Por Penélope Toledo (INCQS/ Fiocruz)

Imagem de Divulgação

Quais os impactos da violência, seja ela física e/ou psicológica, na saúde da população? Para compreender esta e outras questões dentro do tema, as trabalhadoras do INCQS Mara Dias Pereira (DIR) e Penélope Toledo (Assessoria de Comunicação social/ ACS) participaram da oficina promovida pelo Programa Institucional de Articulação Intersetorial em Violência e Saúde (PI/Fiocruz) em 24 de outubro. 

O tema do encontro foi Advocacy, que remete às ações e estratégias para influenciar a formulação de políticas e a alocação de recursos públicos, e apresentado como exemplos as seguintes instituições Médico sem Fronteira (MSF); Redes de Desenvolvimento da Maré (Redes da Maré) e Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), que atuam com profissionais especializados em Advocacy.

Também presentes ao evento, profissionais de outras unidades da Fiocruz, como Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), Instituto de Tecnologia em Fármacos (FarManguinhos), Instituto René Rachou - Fiocruz Minas, Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF) e Escola Politécnica de Saúde “Joaquim Venâncio” (EPSJV).

 

Conhecendo experiências bem-sucedidas que utilizam o Advocacy:

No primeiro momento da oficina, e sob a ótica do profissional Advocacy, Marina Siqueira, do MSF, abordou alguns aspectos como seus princípios de neutralidade e imparcialidade nos conflitos e de independência quanto a governos e corporações; e suas atuações operacionais em questões pontuais, de organização local, nos territórios, etc., bem como ações globais tais quais na epidemia de ebola na África Ocidental em 2014, para o respeito aos direitos internacionais humanitários, nas doenças tropicais negligenciadas, na saúde reprodutiva das vítimas de violência sexual e em campanhas de acesso aos medicamentos, dentre outros.

A Redes da Maré foi outro exemplo apresentado. Lidiane Malanquini e Henrique Gomes falaram sobre o surgimento do programa entre os moradores do Complexo há 20 anos; seus projetos; o protocolo para atuação policial; e as etapas de trabalho, que abrangem produção de conhecimento sobre este território, protagonismo dos moradores nas lutas por direitos, articulação com os poderes institucionais para a garantia de políticas públicas e ações concretas. Também, a Redes discute trabalhos estratégicos para a redução de danos, educação, política sobre drogas e o jornal mensal da Redes.

Pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT) falaram Mariana Claudino e Joana Cruz, sobre suas cobranças por políticas públicas; campanhas desenvolvidas para o controle do tabagismo, do álcool, por alimentação saudável (incluindo a rotulagem dos alimentos) e para o incentivo às atividades físicas; e sua articulação e trabalhos conjuntos com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

As exposições foram encerradas por Leonardo Bueno, da Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz. Ele discorreu acerca da origem do órgão; seu papel de assessoria técnico-científica ao território; a formação de sua coordenação (Gestão Administrativa, Articulação Institucional e Gestão de Projetos); suas ações educativas e campanhas; projetos territorializados e institucionais desenvolvidos; frentes de atuação e eixos estratégicos, que são Educação, Comunicação e Cultura, Formação, Trabalho e Solidariedade, e Território, Saúde e Ambiente. Falou ainda sobre o papel decisivo da dessa Cooperação junto ao Governo Federal para levar a Manguinhos as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

 

Propostas do INCQS:

No segundo momento da Oficina, foram discutidas quais as ações e possibilidades de advocacy para o Programa Institucional de Articulação Intersetorial em Violência e Saúde, a comunicação e o plano de trabalho para 2019, a partir de questões problematizadoras previamente encaminhadas pelas unidades. São elas:

. Quais prioridades as unidades/participantes podem tirar como propostas/ demandas para a Fiocruz desenvolver neste final de 2018 e em 2019 no que se refere a violência?

. Quais prioridades sua unidade poderia adotar no que se refere a violência e como o PI poderia apoiá-las? Há demandas objetivas como em relação a espaço, cursos, etc?

. De que forma sua unidade poderia apoiar as outras unidades no que se refere a violência, como pode haver uma articulação?

Nessas, as representantes do INCQS, em parceria com o Serviço de Gestão do Trabalho (SGT) e a Direção do Instituto, apresentaram como demandas e propostas para a Fiocruz desenvolver, referentes à violência, as seguintes temáticas: 1 – Assédio moral no trabalho, com ações de conscientização em relação aos conceitos e possibilidades de acolhimento, e 2 - Saúde do trabalhador diante da violência no entorno da Fiocruz, com interação entre as unidades para troca de experiências a partir de ações e vivências.

Mara Pereira, uma das participantes do INCQS na Oficina, explica os apontamentos do INCQS:

“Duas formas de violência importantes de serem enfrentadas são o assédio moral, que é uma violência que nem todo mundo entende e difícil de ser provada, e o trajeto para o INCQS por causa do tiroteio e da marginalidade. Ambos afetam a saúde do trabalhador, não só física, mas emocionalmente, por causa do medo, estresse, trauma, depressão, etc.”.

Em relação ao trabalho de promoção da conscientização sobre os conceitos relacionados à violência, Mara pontua a importância dele “ser realizado a partir da clareza de que ‘portas’ os profissionais podem utilizar para o registro e acolhimento de suas demandas. Sem essa clareza em relação ao encaminhamento, esse trabalho de promoção fica prejudicado, pois poderá gerar a demanda e, ao mesmo tempo, a frustração de não saber onde ser acolhida”.

Mara também alerta para o fato das áreas da Fiocruz que hoje recebem o registro sobre violência precisarem dar retorno para os demandantes. Ela vê a necessidade de monitoramento, por parte da Comissão, de que o retorno para o demandante seja efetivo.