Publicado em 17/09/2018.

Por Maria Fernanda Romero (INCQS/ Fiocruz)


DSC00805Foto: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/ Fiocruz)

É preciso recolocar a agenda política da Reforma Sanitária junto com os movimentos sociais. A saúde coletiva precisa ser o centro do debate pelos interesses da população. Essa foi a conclusão da palestra de Tatiana Wargas, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz). A psicóloga e doutora em saúde coletiva palestrou sobre os caminhos e percalços da reforma sanitária, na última quinta-feira (13), durante o evento de celebração do 37º aniversário do INCQS.
 
Tatiana Wargas afirmou que os Estados viveram diferentes momentos de reforma sanitária, mas focou em sua apresentação, na reforma sanitária mais recente, da década de 70 até hoje, que não nasce de uma ação governamental, como as anteriores.
 
"Trata-se de uma reforma que surge como um movimento acadêmico social, na articulação com movimentos sociais, e que somente depois disso é preconizada e produzida pelo Estado - isso tudo em um contexto no qual o Brasil estava vivendo uma ditadura militar. A Saúde Coletiva nasce, nesse período, vinculada à luta pela democracia e ao movimento da Reforma Sanitária: uma medicina preventiva e comunitária", relembra.
 
Segundo a psicóloga, precisamos desenvolver o país para ter mais saúde e os movimentos sociais são elementos chaves neste sentido. "As condições socioeconômicas, ambientais e culturais detém grande influência na saúde coletiva. Não adianta somente o governo promover ações de prevenção. Precisamos de uma reforma sanitária como transformação social e não simplesmente com intenção de organização social", finaliza.