Publicado em 25/03/2026.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
O INCQS/Fiocruz realizou, no último dia 10 de março, a aula inaugural do Programa de Pós-graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS), com o tema 'Desafios do Complexo Econômico-Industrial da Saúde e da Soberania em Saúde'. A atividade ocorreu no auditório Sérgio Arouca, na sede do instituto, com transmissão ao vivo pelo canal do INCQS no YouTube.
A aula foi ministrada por Carlos Gadelha, coordenador da Rede CEIS e líder do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Sustentável, CT&I e CEIS. Em sua exposição, o pesquisador destacou a importância estratégica do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) para o fortalecimento da soberania sanitária nacional, especialmente diante dos desafios relacionados à inovação, à produção local e à redução de vulnerabilidades no setor.
A mesa de abertura contou com a participação de Mychelle Alves Monteiro, diretora do INCQS; Marco Nascimento, vice-presidente adjunto de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, representando a Presidência da instituição; Isabella Delgado, coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, representando a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz; e Ivano de Filippis, vice diretor de Ensino e Pesquisa do INCQS/Fiocruz.
Durante a abertura, Mychelle Alves destacou o papel estratégico da formação promovida pelo instituto. “Mais de 90% dos nossos egressos atuam na vigilância sanitária e no controle da qualidade em saúde. Isso mostra o impacto direto da nossa formação e a responsabilidade que temos na preparação de profissionais para o SUS e para o país. Lembro ainda, que a formação no INCQS vai além do Brasil. Preparamos profissionais que atuam aqui e em outros países, contribuindo para a vigilância sanitária e para a saúde global em um cenário cada vez mais desafiador”, pontuou.
De acordo com a diretora, o INCQS ocupa uma posição estratégica no país ao atuar no controle da qualidade em saúde. "Diante da ampliação dos investimentos no setor, é fundamental que estejamos preparados, tanto na formação quanto na produção de conhecimento”, disse.
Representando a Presidência da Fiocruz, Marco Nascimento ressaltou a relevância do instituto para a tomada de decisões no Sistema Único de Saúde (SUS). “Para quem está na gestão, receber um parecer do INCQS é fundamental. A regulação e o controle da qualidade hoje são instrumentos de soberania diante da complexidade crescente do sistema de saúde”, destacou.
O vice diretor, Ivano de Filippis apresentou dados que evidenciam a excelência do programa. “Mantivemos a nota 6 na avaliação da Capes, com mais de mil produções acadêmicas e técnicas no último ciclo. Nosso desafio é seguir ampliando esse nível de qualidade com as novas turmas”, afirmou.
Já Isabella Delgado enfatizou o papel da formação e os avanços institucionais da Fiocruz. “Temos um programa de excelência e um perfil inovador. Esse resultado reflete o compromisso coletivo com a qualidade da formação e com o fortalecimento do sistema de saúde”, disse, destacando também os desafios futuros para consolidar o CEIS e reduzir desigualdades.
A aula inaugural marcou o início do ano letivo de 2026 do PPGVS e reforçou o compromisso do programa e do INCQS/Fiocruz com a formação qualificada, a produção de conhecimento e o fortalecimento da Vigilância Sanitária no país.
CEIS e soberania em saúde em foco
A participação de Carlos Gadelha marcou a aula inaugural com uma análise estratégica sobre o papel do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) no desenvolvimento nacional. O pesquisador destacou que a articulação entre ciência, tecnologia e inovação é central para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a autonomia do país na área da saúde.
Gadelha enfatizou que o cenário global exige capacidade de resposta rápida e coordenação entre diferentes áreas. “A saúde deixou de ser apenas uma agenda social e passou a ocupar um lugar central no desenvolvimento econômico e na soberania dos países. Fortalecer o CEIS é reduzir dependências e ampliar a capacidade nacional de inovação e produção”, afirmou.
Ele também ressaltou a importância da vigilância sanitária nesse contexto. “Não há soberania em saúde sem qualidade, regulação e capacidade tecnológica. A vigilância sanitária é parte estruturante desse sistema e precisa estar integrada às estratégias de desenvolvimento”, completou.
Confira AQUI o evento na íntegra.

Fotos: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)