Publicado em 13/03/2026.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
A diretora do INCQS/Fiocruz, Mychelle Alves Monteiro, participou da instalação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial, realizada na manhã da última quarta-feira (4/3), na Câmara dos Deputados, em Brasília. A iniciativa reúne parlamentares e representantes de instituições científicas para fortalecer o debate sobre políticas públicas baseadas em evidências e ampliar o acesso da população a tratamentos seguros.
A Frente Parlamentar é presidida pelo deputado Bacelar (PV/BA) e tem como objetivo promover o diálogo entre o poder legislativo, a comunidade científica e diferentes setores da sociedade sobre o uso medicinal da cannabis e o potencial produtivo do cânhamo industrial no Brasil.
A Fiocruz também esteve representada no evento por Valber Frutuoso, coordenador da Coordenação de Promoção da Saúde da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS).
De acordo com Mychelle Alves Monteiro, a criação da Frente Parlamentar representa um marco importante para o avanço do tema no país. “É um momento histórico para o Brasil. Ver o Parlamento se mobilizando em torno de uma agenda que envolve saúde pública, ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento produtivo é motivo de grande esperança para quem trabalha com esse tema há alguns anos”, destacou.
A diretora do INCQS explicou que, desde a publicação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 327/2019 da Anvisa, pesquisadores do instituto vêm contribuindo para o desenvolvimento de metodologias voltadas ao controle da qualidade de produtos à base de cannabis.
“Desde 2018, temos atuado no desenvolvimento de metodologias para o controle da qualidade de canabinoides em produtos derivados da cannabis e no apoio a iniciativas de monitoramento desses produtos. Esse trabalho é fundamental para garantir segurança, qualidade e eficácia para a população”, afirmou.
Segundo Mychelle, o avanço da discussão no campo regulatório e legislativo também pode contribuir para ampliar o acesso da população a esses tratamentos.
“A democratização do acesso é um ponto central. O fortalecimento da produção nacional pode tornar esses produtos mais acessíveis e contribuir para que essa agenda avance no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse é um passo importante para a saúde pública e para o desenvolvimento científico no Brasil”, ressaltou.
A diretora também destacou o papel das instituições científicas nesse processo. “A Fiocruz tem uma trajetória reconhecida na produção de conhecimento e no apoio às políticas públicas em saúde. Participar desse debate é essencial para que as decisões sejam cada vez mais orientadas por evidências científicas”, concluiu.

Fotos: Arquivo Pessoal