Publicado em 20/02/2026.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
O INCQS/Fiocruz recebeu, no último dia 10 de fevereiro, sete estudantes do Ensino Médio da rede pública do Rio de Janeiro para uma imersão científica no âmbito do Programa Mulheres e Meninas na Ciência, da Fiocruz. A atividade integrou as celebrações pelo Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (11/02). A Imersão no Verão 2026 é uma ação do Programa Mulheres e Meninas na Ciência e é organizada pela Coordenação de Divulgação Científica (CDC), da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fiocruz.
As estudantes foram recebidas por Mychelle Alves Monteiro, diretora do INCQS, que discorreu sobre a missão institucional ressaltando a importância da presença das jovens no INCQS. Em seguida, elas iniciaram as atividades nos laboratórios
“A presença dessas estudantes é muito significativa para o INCQS. Espero que essa vivência possa despertar em cada uma delas o debate sobre o que é ser cientista, como funciona o universo da vigilância sanitária e da saúde pública e que elas se reconheçam nesses espaços. É importante que elas vejam que há muitas possibilidades de atuação na ciência”, afirmou a diretora.
Na sequência, as alunas foram recebidas por pesquisadoras de diferentes departamentos do instituto, onde puderam conhecer, de forma prática e demonstrativa, rotinas e metodologias de pesquisa aplicadas no controle de qualidade de produtos.
No Departamento de Farmacologia e Toxicologia (DFT), a pesquisadora Talita Magalhães Rocha, do Laboratório de Farmacologia, apresentou às estudantes o universo da cultura celular. A atividade contextualizou o que são linhagens celulares e como são empregadas em pesquisas para compreender a interação de diferentes substâncias com o organismo humano.
Após a introdução conceitual, as participantes acompanharam, de maneira segura, etapas gerais de manutenção de culturas celulares e métodos utilizados para estimar o número de células e avaliar sua viabilidade, compreendendo os princípios por trás dessas análises.
“A proposta foi mostrar que por trás de cada resultado científico existe um processo cuidadoso e rigoroso. A cultura celular é uma ferramenta fundamental para estudos em biologia, biotecnologia e saúde, e queremos que elas percebam como a ciência pode impactar diretamente a vida das pessoas. Também é uma forma de incentivar o protagonismo feminino na pesquisa", destacou.
No Departamento de Microbiologia (DM), Débora Ribeiro de Souza Santos, chefe do Laboratório de Microrganismos de Referência, apresentou alguns equipamentos e a rotina do setor de Bactérias e Arqueas e também da Coleção de Bactérias Patogênicas (CBP). Já Mariana Benitez, responsável pelo Setor de Fungos, mostrou pontos da rotina do Setor de Fungos e da Coleção de Fungos do Ambiente e Saúde (CFAS), além de alguns equipamentos, incluindo microscópico.
“Buscamos mostrar que o trabalho com fungos vai muito além do que normalmente se imagina. Ele envolve organização, método e responsabilidade, especialmente quando falamos em saúde pública", explicou Mariana.
Já no Departamento de Química (DQ), Janete Duarte, do Laboratório de Ensaios Físicos, abordou o histórico da Vigilância Sanitária e apresentou o papel do INCQS no monitoramento da qualidade de produtos sujeitos ao controle sanitário. Durante a visita, foram apresentados ensaios realizados no controle de qualidade de preservativos masculinos, evidenciando a importância do monitoramento para a proteção da saúde da população.
“Mostramos como os ensaios físicos são essenciais para garantir que produtos disponíveis no mercado atendam aos padrões de qualidade e segurança. É uma oportunidade para que elas compreendam como a ciência está presente no cotidiano e atua diretamente na proteção da sociedade”, afirmou Janete.
Segundo a estudante Yasmin Pacheco França, do curso técnico em Análises Clínicas da FAETEC Campus Marechal Hermes, que participou da visita ao INCQS, estar na Fiocruz é uma grande oportunidade, porque não é todo dia que se tem acesso a laboratórios e pode-se vivenciar rotinas da pesquisa.
“A ciência sempre me interessou por essa vontade de procurar respostas e entender como as coisas acontecem. Essa experiência na Fiocruz abre muitas portas, mostra diferentes possibilidades dentro da área e nos ajuda a pensar com mais clareza sobre o que queremos para o futuro. Foi uma vivência muito especial, além de muito legal e divertida”, finaliza a aluna.



Fotos: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)