Publicado em 12/12/2025.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
O Laboratório de Produtos Biológicos e Artigos de Saúde do Departamento de Química (DQ) do INCQS/Fiocruz participou da 4ª edição do Congresso E-Vigilância, realizada entre os dias 25 e 27 de novembro de 2025, na Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Promovido pela Fiocruz e pela FGV, o evento teve como tema central “Ciência de dados na vigilância epidemiológica: para quê e para quem?” e reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais da área da saúde.
Durante o congresso, a equipe do laboratório apresentou, em formato de pôster, um trabalho que utiliza a ferramenta Notivisa (Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária) para o levantamento e análise de dados relacionados às queixas técnicas de artigos de saúde utilizados no país. A apresentação ressaltou a relevância das notificações como instrumento para identificação de desvios e para o planejamento de ações de prevenção e controle, contribuindo para a proteção da saúde da população.
Segundo Anna Maria Barreto Silva Fust, chefe do Laboratório de Produtos Biológicos e Artigos de Saúde do DQ, embora as queixas técnicas sejam direcionadas ao produto e não às doenças transmissíveis, elas desempenham papel relevante na vigilância em saúde. “A avaliação dessas notificações fornece dados que, analisados sob uma perspectiva epidemiológica, podem subsidiar a tomada de decisões estratégicas voltadas à segurança do paciente”, destacou.
Os debates do congresso também favoreceram reflexões sobre temas emergentes no contexto da vigilância sanitária, como o uso ampliado de dados e a incorporação de ferramentas de Inteligência Artificial (IA). Para a equipe do Laboratório de Produtos Biológicos e Artigos de Saúde do INCQS/Fiocruz, essas inovações trazem oportunidades, mas também exigem cautela. “A ciência de dados e a IA podem contribuir significativamente para o planejamento das ações de vigilância sanitária, desde que haja clareza quanto à responsabilização e ao uso ético dessas tecnologias”, pontuam.
Outro aspecto abordado foi a validação temporal de dados, conceito destacado nas discussões sobre análise e modelagem preditiva. “A validação temporal é essencial para assegurar a integridade dos resultados obtidos a partir das análises realizadas nos produtos submetidos ao INCQS, podendo ser aplicada em diferentes áreas do nosso trabalho”, afirma a equipe.
As discussões sobre dengue, febre amarela e os impactos das mudanças climáticas também dialogaram diretamente com as atividades do laboratório, especialmente no que se refere ao controle de qualidade de vacinas e outros produtos de saúde. Os debates ampliam a compreensão do instituto sobre a complexidade das doenças e permitem o INCQS enxergar o seu trabalho dentro de um contexto mais abrangente de vigilância em saúde.
"A participação no congresso trouxe reflexões importantes para o futuro do laboratório. As discussões e trocas de experiências foram inspiradoras, ampliaram nossa compreensão sobre análise de dados e fortaleceram estratégias para aprimorar e divulgar nossos trabalhos”, concluiu Anna Maria Barreto Silva Fust.
Fotos: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)