Publicado em 04/12/2025.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) marcou presença no 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva (Abrascão), realizado em Brasília (DF), entre os dias 28 de novembro e 3 de dezembro. Com o tema 'Democracia, equidade e justiça climática: a saúde e o enfrentamento dos desafios do século XXI', o evento reuniu especialistas de todo o país para debater estratégias em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer a saúde coletiva no Brasil. Além dos servidores pesquisadores, o INCQS foi representado por docentes, discentes e egressos do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS), reforçando o papel da instituição na formação acadêmica e na produção de conhecimento científico.
Participaram pelo INCQS: Docentes - Isabella Delgado e Michele Feitoza; Discentes - Priscila Marinho, José Guilherme C. Teles, Sthefany Maria Libonati Cury e Leonardo de Souza Lopes; Egressa - Solange Lopes; e Rosane Gomes Alves Lopes, coordenadora da Assistência ao Ensino e do PPGVS.
Apresentações e pesquisas em destaque
Detergentes enzimáticos em Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS)
Leonardo de Souza Lopes, do Setor de Cosméticos e Saneantes do DQ/INCQS e discente do PPGVS, apresentou um pôster sobre os avanços na regulamentação, controle e monitoramento de detergentes enzimáticos utilizados em EAS. O estudo indica que os avanços regulatórios contribuíram para a melhoria dos processos de limpeza, mas reforça a necessidade de ampliar o monitoramento e investir em pesquisa e capacitação laboratorial. “Nosso trabalho reforça que o INCQS desempenha um papel estratégico para a segurança sanitária do país. Investir em pesquisa e inovação é essencial para qualificar ainda mais as ações de vigilância”, afirmou.
Medicamentos para tuberculose com rifampicina no Brasil
Sthefany Maria Libonati Cury, do Setor de Medicamentos do DQ/INCQS e discente do PPGVS, apresentou o trabalho 'Uma análise sobre os medicamentos para tratamento da tuberculose contendo rifampicina no Brasil', fruto de sua pesquisa no Programa. O estudo evidencia que, embora existam produtos com registro válido na Anvisa, eles não garantem plenamente o atendimento às recomendações do Ministério da Saúde. “Os resultados evidenciam um grave problema de saúde pública: a falta de investimento na produção de medicamentos com rifampicina, uma realidade que impacta especialmente os países mais pobres”, destacou.
Cozinhas Solidárias e segurança alimentar
O discente José Guilherme C. Teles apresentou dois trabalhos voltados ao Programa Cozinhas Solidárias (PCS). No primeiro, 'O Programa Cozinhas Solidárias sob a perspectiva da vigilância sanitária de alimentos', buscou compreender e discutir o PCS sob o enfoque sanitário, concluindo que as iniciativas enfrentam barreiras regulatórias complexas devido à fragmentação das normas e à coexistência de exigências locais e federais. O estudo aponta que a desburocratização pode fomentar tecnologias sociais essenciais ao enfrentamento da insegurança alimentar, desde que se mantenha o equilíbrio com a atuação das vigilâncias locais.
No segundo trabalho, 'O Programa Cozinhas Solidárias como estratégia para o enfrentamento da insegurança alimentar no Brasil', analisou o PCS como política pública, identificando sua construção temporal no país e realizando uma revisão integrativa de literatura. A pesquisa concluiu que as cozinhas solidárias são fundamentais para garantir o direito à alimentação e fortalecem a consolidação do programa como modelo permanente no Brasil.
Importância institucional
Para Rosane Gomes Alves Lopes, a participação ampliada do INCQS no evento destaca a relevância da instituição na formação de profissionais e na produção de conhecimento estratégico. “Participar de um congresso dessa dimensão permite ampliar diálogos, fortalecer parcerias e reafirmar o papel do INCQS na agenda nacional de vigilância sanitária”, afirmou.
Fotos: Arquivo Pessoal