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Publicado em 13/11/2025.

Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)

O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) realiza desde o dia 3 de novembro, um curso de capacitação profissional em microbiologia de alimentos e águas para dois profissionais do Laboratório Nacional de Higiene de Águas e Alimentos (LNHAA), vinculado ao Ministério da Saúde de Moçambique. A formação, que termina amanhã (14), é ministrada pelo Setor de Alimentos do Laboratório de Microbiologia de Alimentos e Saneantes do Departamento de Microbiologia (DM), e teve caráter totalmente prático, desenvolvido no setor de alimentos do instituto. A iniciativa reforça o papel do INCQS como referência internacional em controle de qualidade e formação técnica, promovendo a disseminação de conhecimento científico e o fortalecimento das redes de cooperação entre países lusófonos.

Voltado à atualização técnica, o curso oferecido sob demanda, aborda técnicas e procedimentos de rotina utilizados nos laboratórios do INCQS/Fiocruz. Durante a capacitação, os participantes também visitaram a área da Qualidade, para conhecer os processos da Vice-Diretora de Gestão da Qualidade (VDQuali), e o Laboratório de Metrologia, ampliando a compreensão sobre o controle de qualidade e a rastreabilidade das medições.

Para Silvia Maria dos Reis Lopes, chefe do Laboratório de Microbiologia de Alimentos e Saneantes do Departamento de Microbiologia (DM) do INCQS/Fiocruz, a troca de experiências é uma das principais riquezas da capacitação. A formação tem como objetivo não só apresentar os métodos e práticas utilizados no instituto, mas também promover um intercâmbio técnico e cultural, fortalecendo a cooperação entre instituições de saúde pública. "Durante a formação, os profissionais puderam acompanhar de perto as rotinas analíticas do INCQS e comparar os métodos aplicados no Brasil com os adotados em Moçambique. É gratificante ver como o conhecimento compartilhado pode contribuir para o aprimoramento das práticas laboratoriais em outros países”, destacou a servidora que é coordenadora do curso, juntamente com o trabalhador Rodrigo Tavares.

Márcio Amós, que atua na gestão da qualidade do LNHAA, indicou que a formação contínua faz parte da estratégia de fortalecimento técnico do laboratório moçambicano, e que o INCQS/Fiocruz surgiu como uma referência natural para essa capacitação.

“No nosso país, temos uma componente de formação contínua que busca aproximar os laboratórios moçambicanos de instituições internacionais de excelência. Identificamos a Fiocruz como uma referência em saúde pública e, dentro dela, o INCQS pela sua reconhecida atuação na área de microbiologia. A experiência que tivemos aqui vai abrir muito nossa mente: aqui aprendemos detalhes que enriquecem muito o nosso trabalho, como o controle de qualidade dos meios de cultura, o processo de esterilização e o acompanhamento das análises. Também pudemos conhecer como funciona o controle metrológico e o sistema da qualidade, aspectos fundamentais para melhorar a gestão e o desempenho dos nossos ensaios”, explicou.

Ele também destacou a importância da troca técnica durante as visitas realizadas. “Poder acompanhar de perto o trabalho do setor da Qualidade e do Laboratório de Metrologia foi uma experiência valiosa. Essa interação permite compreender como diferentes áreas se articulam para assegurar resultados precisos e rastreáveis, algo essencial para fortalecer o nosso próprio laboratório em Moçambique”, afirmou.

Já Maria Isabel Tauzene, bióloga do laboratório de microbiologia de águas e alimentos do LNHAA de Moçambique, ressaltou a relevância do aprendizado prático e a oportunidade de conhecer técnicas que ainda não são aplicadas em Moçambique.

“Em Moçambique já realizamos análises de alimentos e águas e identificamos algumas bactérias, mas aqui pude aprender técnicas e procedimentos que ainda não aplicamos, como a identificação da Listeria monocytogenes, uma bactéria de grande relevância em saúde pública. Ver na prática como o INCQS conduz essas análises e conhecer novos equipamentos e meios de cultura foi uma oportunidade única. Vou levar esse conhecimento para adaptar e fortalecer os processos do nosso laboratório”, indicou com entusiasmo.

Ela acrescentou ainda que a vivência no INCQS ampliou sua compreensão sobre a importância da estrutura laboratorial e da separação de funções. “Percebi que aqui os técnicos têm funções bem definidas, o que contribui para a qualidade dos resultados. No nosso laboratório, muitas vezes o mesmo profissional prepara o meio de cultura e realiza a análise, o que pode gerar sobrecarga. Essa troca vai nos ajudar a repensar a nossa rotina e aprimorar a organização das atividades”, concluiu.

Profissionais de Moçambique curso DMFotos: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)