Publicado em 12/11/2025.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
O Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) participou do 60º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), o MEDTROP 2025, realizado entre os dias 2 e 5 de novembro, em João Pessoa (PB). Com o tema 'Mudanças climáticas e impactos nas doenças tropicais', o evento reuniu pesquisadores, profissionais de saúde e gestores para discutir os efeitos das transformações ambientais e sociais sobre a ocorrência e o controle das doenças tropicais no Brasil e no mundo.
O INCQS foi representado pela diretora Mychelle Alves Monteiro, que participou como palestrante no painel 'Inovação em malária com vistas à eliminação', ao lado de pesquisadores do Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Em sua fala, Mychelle abordou o tema 'Avaliando a qualidade dos antimaláricos em diferentes pontos de distribuição', destacando a importância do controle da qualidade dos medicamentos utilizados no tratamento da malária.
“Garantir a qualidade dos antimaláricos é fundamental para a efetividade do tratamento e para a eliminação da doença. A atuação do INCQS nesse campo reforça o papel estratégico da Fiocruz na vigilância sanitária e na proteção da saúde pública, contribuindo diretamente para o fortalecimento das políticas nacionais de enfrentamento da malária”, afirmou Mychelle Alves Monteiro, diretora do INCQS/Fiocruz.
Também participaram do congresso pelo INCQS/Fiocruz: Talita Coelho de Souza, do Setor de Vacinas do Laboratório de Microbiologia de Produtos Estéreis e Não Estéreis, e Carlos Sobrinho, do Setor de Fungos do Laboratório de Microrganismos de Referência, do Departamento de Microbiologia (DM).
Segundo Talita Coelho de Souza, o congresso proporcionou uma importante oportunidade de atualização sobre temas diretamente relacionados à atuação do Setor de Vacinas.“Durante o evento, acompanhei apresentações sobre a situação epidemiológica de doenças imunopreveníveis, cobertura vacinal na população brasileira e em países vizinhos, e desenvolvimento de imunobiológicos no país. É de extrema importância para o Setor de Vacinas acompanhar essas discussões, principalmente no que tange ao desenvolvimento de novas vacinas que podem ser incorporadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A atualização frente ao pipeline de vacinas contra doenças antigas e emergentes permite à equipe do Setor se preparar para futuras demandas de atuação.
A servidora destacou ainda que o evento trouxe reflexões relevantes sobre o impacto das mudanças climáticas na dinâmica das doenças e na organização dos serviços de saúde. “As palestras abordaram como o aquecimento global pode influenciar o comportamento de patógenos e vetores, alterando o cenário epidemiológico e exigindo novas estratégias de vigilância. Como ressaltou a Dra. Ethel Maciel, enviada especial para o tema da saúde na COP30, essas transformações também impõem desafios estruturais e logísticos aos sistemas de saúde, que precisam se adaptar a uma nova realidade”, completou.
Segundo Carlos Sobrinho, o MEDTROP se destaca por seu caráter multidisciplinar, abordando temáticas de relevância para a vigilância em saúde e a atenção primária no Sistema Único de Saúde (SUS). “Diversos temas se tornam transversais às áreas de atuação do INCQS, seja na pesquisa, no controle de qualidade ou na vigilância, o que é essencial diante dos desafios do Ministério da Saúde na preparação para o enfrentamento de novas doenças”, explicou.
Durante o evento, o pesquisador acompanhou apresentações voltadas às micoses e às estratégias de controle da resistência aos antimicrobianos, temas diretamente relacionados à atuação do setor de fungos e à Coleção de Fungos de Ambiente e Saúde do INCQS. “Essas discussões são importantes para a caracterização mais ampla dos fungos da nossa coleção. Também participei de palestras que abordaram a temática de ‘Uma Só Saúde’, além de uma mesa redonda sobre biobancos e coleções biológicas, que são fundamentais para a integração e o avanço das pesquisas”, relatou.
O servidor destacou ainda as reflexões trazidas sobre o impacto das mudanças climáticas na microbiologia. “Em uma palestra sobre micotoxinas e saúde integrada, foi apontado que o aumento das temperaturas pode levar a uma maior produção de micotoxinas pelos fungos, como mecanismo de resistência. São informações relevantes para entender os efeitos do clima sobre o comportamento microbiano e suas implicações na saúde”, afirmou.
“O MEDTROP é um congresso riquíssimo, que proporciona alinhamento com as ações do INCQS. A experiência dos profissionais do instituto contribui de forma significativa para o debate, como demonstrou a apresentação da diretora Mychelle Alves, que trouxe uma perspectiva diferenciada sobre inovação em malária e o papel do controle da qualidade de medicamentos”, destacou Carlos Sobrinho.
Organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), o MEDTROP 2025 reforçou a importância da integração entre ciência, vigilância e inovação tecnológica na resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelas doenças tropicais. A participação do INCQS reafirma o compromisso do Instituto com a pesquisa científica, o controle de qualidade e o fortalecimento das políticas públicas de saúde no país.
Da esquerda para a direita: Carlos Sobrinho e Talita Coelho de Souza, do DM/INCQS, e Mychelle Alves Monteiro, diretora do INCQS/Fiocruz. Foto: Arquivo Pessoal