Publicado em 12/09/2025.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
Um dos pontos altos da semana de celebração dos 44 anos do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), no dia 4 de setembro - data oficial de aniversário do instituto - foi a palestra do Dr. Gonzalo Vecina. Em uma de suas falas, Vecina destacou a relevância do INCQS como um dos pilares técnicos e científicos que sustentam a vigilância sanitária brasileira e reforçou a importância da instituição na formulação e execução de políticas públicas de saúde. Dr. Gonzalo Vecina é médico e sanitarista, fundador e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e participante da Reforma Sanitária.
Dr. Vecina ressaltou a relevância do INCQS/Fiocruz como guardião da qualidade de produtos e parte dos serviços entregues à sociedade, reforçando que a instituição é pilar técnico-científico da vigilância sanitária no Brasil. Ele indicou que a vigilância sanitária deve ser compreendida em seus múltiplos atributos: segurança, eficácia, qualidade, construção do acesso e relação com a atividade econômica. "Não existe nada 100% seguro e nada 100% eficaz. O papel da vigilância é administrar riscos, evitando que se transformem em danos à saúde da população”, destacou.
Vecina também enfatizou que a qualidade não pode ser relativa e que o INCQS desempenha papel essencial nesse processo. “A Qualidade não é mais ou menos. Qualidade é simplesmente o atributo de ser igual ao que eu quero que ele seja. Laboratórios de controle da qualidade são onde nascem o conhecimento transformador, que se torna instrumento da vigilância sanitária. Parte desse conhecimento nasce justamente em centros como o INCQS, que estão no cerne da vigilância sanitária brasileira”, afirmou.
O palestrante apontou ainda que a epidemiologia da vigilância sanitária é fundamental para compreender e agir diante dos riscos. Para isso, a cooperação com universidades e empresas precisa ocorrer com absoluta transparência: “A indústria tem interesses específicos, mas a nossa responsabilidade é trabalhar de forma clara e aberta, compartilhando informações que diminuam a probabilidade de ocorrência de danos”, explicou.
Ao refletir sobre o futuro, Vecina afirmou que o RNA mensageiro (mRNA, na sigla em inglês - tipo de molécula produzida naturalmente pelas células do nosso corpo) desponta como uma nova fronteira terapêutica e reforçou a necessidade de inovação contínua na vigilância sanitária. “Temos sempre que fazer mais e melhor. Para mudarmos, não adianta fazer o mesmo todo dia”, provocou. Ele concluiu destacando o papel central das pessoas nesse processo: “Nada se faz sem gente. Gente é fundamental".
Fotos: Pedro Paulo Gonçalves - DIR/ INCQS