Publicado em 27/06/2025.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
Desenvolver uma metodologia analítica para identificar e quantificar o Polirribosil Ribitol Fosfato (PRP) na vacina contendo os componentes contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus Influenzae tipo b (vacina pentavalente), utilizando cromatografia de troca aniônica de alta eficiência com detecção amperométrica pulsada. Esse foi o principal objetivo do estudo que a servidora Elizabete Figuerêdo, do Setor de Produtos Biológicos, do Departamento de Química (DQ) do INCQS/Fiocruz, apresentou na 48ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), realizada nos dias 8 a 11 de junho, em Campinas, São Paulo.
O evento contou com a participação de aproximadamente 2.500 congressistas. O trabalho de Elizabete Figuerêdo foi apresentado em formato de pôster, o qual despertou considerável interesse por parte dos participantes, sobretudo quanto à técnica empregada com detector amperométrico pulsado e ao protocolo de preparo de amostra, dada a complexidade da matriz analisada.
O Polirribosil Ribitol Fosfato é o polissacarídeo capsular do componente da Haemophilus Influenzae tipo b (Hib), responsável pelo caráter imunogênico na vacina contra as doenças associadas à bactéria do Hib, tais como infecções sanguíneas, pneumonia e meningite. O método foi desenvolvido utilizando material de referência certificado de PRP, padrões de ribose e ribitol, além de amostras de vacinas. Os resultados dos lotes das vacinas analisadas utilizando a metodologia desenvolvida no Setor de Produtos Biológicos do INCQS/Fiocruz foram coerentes com aqueles obtidos pelo fabricante.
De acordo com a servidora, como perspectivas futuras, o procedimento proposto pode ser um 'ponto de partida' para o desenvolvimento de novos métodos em apresentações multicomponentes de vacinas, onde o Hib esteja presente. "Sendo o caso, por exemplo, da vacina hexavalente, que já é adquirida pelo Ministério da Saúde, onde o componente poliomielite 1, 2 e 3 é adicionado. O desenvolvimento e a aplicação de metodologias analíticas robustas para o controle de qualidade de vacinas contribuem diretamente para a segurança, eficácia e confiabilidade dos imunobiológicos disponibilizados à população brasileira", explica.
Segundo Elizabete Figuerêdo, as próximas etapas do estudo são a validação e a estimativa da incerteza de medição. Desta forma, o ensaio do PRP poderá ser implementado no controle de qualidade da vacina pentavalente.
A servidora Elizabete Figuerêdo, do Setor de Produtos Biológicos, do Departamento de Química (DQ) do INCQS/Fiocruz, ao lado do pôster que apresentou na 48ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Química (SBQ). Foto: Arquivo Pessoal