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Publicado em 03/04/2025.

Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)

A interseccionalidade é a chave para tornar as políticas públicas mais justas, equânimes e eficazes para todas as mulheres, independentemente de sua origem, classe, identidade de gênero ou orientação sexual. A questão foi levantada por Elaine Lucia, do Serviço de Gestão do Trabalho (SGT) do INCQS/Fiocruz, durante o evento 'Mulheres Múltiplas: Diversidades e Desafios', que o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT/Fiocruz) promoveu na última semana, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.

"Nós somos únicas e diversas. Possuímos gostos, sonhos, desejos, trabalhos e conhecimentos distintos, e essa diversidade precisamos estar presente nas nossas políticas públicas de saúde. Temos mulheres pretas, mulheres trans, mulheres pobre, mulheres com idade mais avançada - são mulheres com demandas distintas, necessidades diferentes e as políticas públicas de saúde precisam ter olhar para estas diversas mulheres. Não dá para colocar todas as mulheres em uma caixinha", pontuou.

No encontro, a servidora enfatizou ser necessário estar atento à saúde das mulheres, que já contam com uma carga pesada pelo simples fato de serem mulheres. "Precisamos saber quais são as nossas prioridades e potencialidades. Temos que impor limites, saber dizer não e também nos perdoarmos quando não conseguimos dar conta de tudo, porque senão muitas vezes, nós mulheres, adoecemos. Precisamos contar com soluções em políticas públicas para que as mulheres", disse.

Elaine Lucia explica que o desafio das mulheres é ser múltipla, porque a sociedade impõe que sejam assim - e de uma forma muito pesada e cruel. As mulheres tem que ser boa mãe, boa filha, boa esposa, etc. A mulher deve ser cuidadora: tem que cuidar do filho, dos pais, tem que cuidar dos seus. Então, se ela não se coloca nesse papel, ela é tida como uma pessoa que não está cumprindo os deveres do seu gênero.

Outro ponto que a servidora, especialista em gestão do conhecimento e saúde pública, tratou durante sua palestra, foi a realidade da mulher no âmbito da capacitação em saúde. Apesar de reconhecer a maioria feminina nos espaços desse setor, ela comenta que as mulheres ainda não ocupam cargos de lideranças, o que, na sua opinião, contribui ainda mais para a falta de interseccionalidade nas políticas públicas de saúde.

"Avançamos quantitativamente, mas ainda não conseguimos atingir os espaços de poder - quando falamos em diversidade feminina então, isso fica ainda mais distante. Para que essas políticas atendam às reais necessidades de todas as mulheres, é fundamental que a diversidade feminina seja levada em conta, garantindo que a saúde da mulher seja compreendida de forma ampla e inclusiva", conclui.

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WhatsApp Image 2025 04 02 at 17.53.12 2Fotos: Raquel Portugal - Multimeios/Icict