Publicado em 22/03/2021.

Por Penélope Toledo (INCQS/Fiocruz)

Imagens de Divulgação

Em 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 22 de março como o Dia Mundial da Água. A data é um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos, conforme explica a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em seu site.

O Instituto tem atuações permanentes de controle da qualidade da água para consumo humano e da água utilizada no tratamento de hemodiálise, que devem seguir padrões e critérios específicos. Também participa de projetos e estudos relacionados a análise de resíduos de produtos em água. Além disso, contribui na capacitação dos profissionais dos laboratórios quando solicitado e na realização de Ensaios de Proficiência, o que é fundamental para o aumento da confiabilidade dos resultados das medições realizadas, trazendo maior confiabilidade aos resultados emitidos.

As ações do INCQS são institucionais, isto é, destinadas à Fiocruz. A água de uso doméstico não é analisada pelo Instituto.

O controle da qualidade da água na vigilância em saúde, atualmente instituída no Sistema Único de Saúde (SUS) é esforço do monitoramento em conjunto dos serviços de vigilância e laboratórios públicos.

Análise de água para consumo humano:

O INCQS desenvolvia mensalmente o monitoramento do controle da qualidade da água para consumo da creche Fiocruz, mas a atividade está interrompida devido ao não funcionamento da mesma durante a pandemia, conforme explica a chefe do Setor de Alimentos do Instituto, Silvia Lopes.

“Os padrões microbiológicos da água para o consumo humano são a ausência da bactéria Escherichia coli (E. coli) e de coliformes totais (bacilos), e a contagem de bactérias heterotróficas. Estes estão estabelecidos na Portaria de Consolidação nº 05/2017, do Ministério da Saúde (MS). Há também parâmetros físico-químicos de análise, mas o INCQS só faz o microbiológico”, esclarece.

Durante a pandemia, por demanda da Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic/Fiocruz), o INCQS chegou a realizar análises de controle de qualidade da água do Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19 – INI.

Análise de água para clínicas de hemodiálise:

O INCQS realiza desde 1999 o programa para verificação da qualidade microbiológica da água tratada para uso nas unidades de terapia renal substitutiva do estado do Rio de Janeiro em parceria com as Vigilâncias Sanitárias (Visa).

Esse programa tornou-se referência nacional para todos os laboratórios de saúde pública e pôde contribuir para a capacitação de diversos profissionais da área, minimizando os agravos relacionados com a qualidade da água utilizado no tratamento de diálise, conforme informa a coordenadora do Núcleo Técnico de Artigos de Diálise (NT AD), Joana Angélica Barbosa Ferreira.

Projetos e pesquisas:

Além das análises como atividade regular, o INCQS participa de projetos e pesquisas voltados à identificação de resíduos de produtos em água. A chefe do Laboratório de Medicamentos, Cosméticos e Saneantes, Mychelle Alves Monteiro, atua na abordagem de resíduos de antimicrobianos em águas no estado do Rio de Janeiro e seus efeitos ecotoxicológicos. Ela alerta que a presença de antibióticos nos rios pode proporcionar o desenvolvimento da resistência antimicrobiana, bem como efeitos ecotoxicológicos nos organismos aquáticos.

Já a curadora da Coleção de Arqueas de Referência em Vigilância Sanitária (CARVS), Maysa Mandetta Clementino, tem trabalho na área de poluição hídrica, com enfoque nos biondicadores de poluição de natureza antrópica em ecossistemas aquáticos, com rastreamento das fontes microbianas para conhecimento dos patógenos e da origem da contaminação, e sobre os bioindicadores dos hospedeiros.

Bolsista de Maysa, Kayo Cesar Bianco Fernandes, egresso do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS/INCQS) recebeu o Prêmio Capes de Tese 2020 com a pesquisa Poluentes químicos e biológicos em ambientes aquáticos e seus impactos na estrutura e no resistoma móvel de comunidades microbianas, defendida no ano anterior. O estudo, que aponta dados que podem contribuir para incentivar discussões que aprimorem as políticas ambientais em relação a saneamento básico e ao monitoramento da qualidade das águas, também foi agraciado com Menção Honrosa no Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2019, na área ‘Ciências Biológicas aplicadas à Saúde e Biomedicina’.

Outra pesquisa que merece estaque é Antimicrobianos como poluentes emergentes: Uma abordagem crítica acerca dos aspectos jurídicos, sociais e ambientais à luz da legislação brasileira, tese de Neusa Maria Castelo Branco, coordenadora da Central de Atendimento ao Cliente (CEAC), defendida em 2020. Desenvolvida desde 2016 a 2020 e orientada pelos drs. Célia Romão e André Mazzei, discorre sobre a ocorrência de antibióticos em água residuais e discussão sobre a legislação que não existe para os fármacos como poluentes emergentes. Não existe, ainda, limites preconizados para fármacos.

“Foram analisadas águas das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e águas superficiais, como rios e lagoas”, especifica Neusa.

Outros Núcleos Técnicos do INCQS também têm projetos na área.