Publicado em 05/10/2020.

Por Maria Fernanda Romero (INCQS/ Fiocruz)

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Kayo Cesar Bianco Fernandes, do Departamento de Microbiologia (DM) do INCQS e egresso do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária (PPGVS) do instituto é um dos alunos da Fiocruz que receberá o Prêmio Capes de Tese 2020, no próximo dia 15 de outubro.

No ano passado, a tese de Kayo intitulada como 'Poluentes químicos e biológicos em ambientes aquáticos e seus impactos na estrutura e no resistoma móvel de comunidades microbianas' já havia sido premiada com a Mensão Honrosa no Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2019, na área ‘Ciências Biológicas aplicadas à Saúde e Biomedicina’.

O trabalho aponta que os dados encontrados poderão contribuir para incentivar discussões a respeito do aprimoramento de políticas ambientais mais eficazes, em relação ao saneamento básico e o monitoramento da qualidade das águas.

Orientado por Maysa Beatriz Mandetta Clementino, do Setor de Bactérias e Arqueas do Laboratório de Microrganismos de Referência do DM, o objetivo do estudo foi avaliar as possíveis alterações na diversidade microbiana, na composição do resistoma microbiano móvel e nos mecanismos de co-seleção, frente à presença de metais traço e antimicrobianos em recursos hídricos destinados ao tratamento e abastecimento público no Rio de Janeiro.

Kayo explica que partiu do principio que o ecossistema aquático é um dos mais ameaçados pela poluição e, consequentemente, sua qualidade vem sendo mais afetada do que os ecossistemas terrestres. Na pesquisa, ele aponta que apesar de ser geralmente reconhecida a importância da manutenção da qualidade da água, na prática, ocorrem inúmeras descargas de efluentes potencialmente poluidores. Além disso, antimicrobianos em sistemas aquáticos são frequentemente degradados rapidamente por meio de vias fotolíticas e outros.

Foram coletadas amostras de água de duas bacias destinadas ao abastecimento (Guandu e São João) e de água potável. "Os resultados revelaram altos níveis de poluição nas águas destinadas ao abastecimento público no Rio de Janeiro, o que compromete sua qualidade. Embora o tratamento das águas tenha sido considerado satisfatório, microrganismos multidroga resistentes e genes de resistência aos antimicrobianos e metais foram encontrados na água potável", explica Kayo.

O prêmio reconhece os melhores trabalhos de conclusão de doutorado defendidos em programas de pós-graduação brasileiros de acordo com critérios de originalidade do trabalho, relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, social e de inovação, e o valor agregado pelo sistema educacional ao candidato.

"Esse prêmio é o reconhecimento da dedicação do egresso Kayo Fernandes, mas ele reitera a qualidade, seriedade e comprometimento de todos que trabalham para a nossa pós-graduação", afirma Katia Christina Leandro, coordenadora de Ensino do INCQS.

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Kayo Cesar Bianco Fernandes ao lado de sua orientadora Maysa Beatriz Mandetta Clementino (à esquerda), durante a cerimônia do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2019. Foto: Peter llicciev (CCS/ Fiocruz)