Publicado em 24/06/2020.

Por Maria Fernanda Romero (INCQS/ Fiocruz)

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Execução do ensaio de Irritação Cutânea in vitro pelo modelo de Epiderme Humana Recostruída.
(Foto: Pedro Paulo da Silva)

 

Seguindo com o compromisso de disseminação de métodos alternativos ao uso de animais, o INCQS, prepara-se para substituir o teste toxicológico clássico de irritação cutânea aguda primária (OECD TG 404), para avaliação do potencial de irritação e corrosão da pele, realizado com coelhos, pelo método que utiliza o modelo de epiderme humana reconstruída (OECD TG 439), realizado in vitro.

O modelo de pele humana reconstruída (OECD TG 439) consiste na utilização de um modelo tridimensional obtido do cultivo de células humanas, mais especificamente os queratinócitos, que se diferenciam formando camadas análogas as observadas na epiderme in vivo e que respondem a estímulos como a irritação. Este método pode ser aplicado para substâncias sólidas, líquidas, semi-sólidas e misturas que possam entrar em contato com a pele.

Por ser um laboratório Central da Rede Nacional de Métodos Alternativos (Renama), nosso instituto participou do estudo colaborativo com o modelo de Epiderme Humana Reconstruída (Reconstructed Human Epidermis – RHE), desenvolvido pela Episkin, empresa do grupo L'Oreal.

O estudo contou com uma primeira etapa de treinamento dos laboratórios participantes e uma segunda etapa onde cada laboratório testou 20 substâncias, em ensaios cegos, para estabelecer a capacidade dos laboratórios em executar a metodologia e avaliar a dispersão dos resultados obtidos em relação aos valores estabelecidos durante a validação do método.

Com isso, o Departamento de Farmacologia e Toxicologia do INCQS, está apto para realizar ensaios de irritação cutânea em conformidade com os requisitos legais, uma vez que a Resolução Normativa N°18/2014, do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), estabeleceu que aqueles desfechos que possuem método in vitro validado e reconhecido internacionalmente devem ser usados em detrimento dos modelos animais, sendo o final de 2019 o prazo estabelecido para a substituição.

Segundo Izabela Gimenes Lopes, do Departamento de Farmacologia e Toxicologia (DFT) do INCQS, a tecnologia implementada é uma ferramenta importante para a avaliação de segurança de produtos e, ao mesmo tempo, banir os experimentos animais.

"Participar deste estudo colaborativo foi uma forma de contribuir com minha missão de servidora pública, ajudando a salvar vidas animais e trazendo benefícios à sociedade, pois o instituto está apto para entregar análises confiáveis, dentro de padrões de qualidade", finaliza.