Publicado em 30/09/2019.

Por Penélope Toledo (INCQS/Fiocruz)

Imagem de divulgação

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão acomete 121 milhões de pessoas no mundo, sendo 17 milhões só no Brasil. Para explicar como a doença e seu tratamento funcionam química e bioquimicamente, Thiago Novotny, integrante do Setor de Medicamentos do Departamento de Química (DQ) do INCQS/Fiocruz, professor de Farmacologia e especialista em Toxicologia ministrou a palestra A química da depressão: a importância e as consequências da medicação para o tratamento da depressão e da ansiedade, em 25 de setembro.

O palestrante discorreu sobre o que é a depressão, seus principais sintomas e causas, as regiões do cérebro envolvidas, principais medicamentos utilizados no tratamento e como atuam e as características do tratamento farmacológico.

“A depressão é o mais comum dos distúrbios do humor. É incapacitante e potencialmente fatal, devido ao risco significativo de suicídio. Pode ocorrer em qualquer idade e vai desde alterações leves beirando à normalidade, até a depressão grave. O enfermo apresenta um ou mais sintomas centrais, geralmente associados a outras condições psiquiátricas como a ansiedade, distúrbios alimentares e dependência de fármacos”, explicou Thiago.

Ele esclareceu que os sintomas incluem componentes emocionais, como pensamentos negativos em excesso, infelicidade, apatia, pessimismo etc, e componentes biológicos, tais quais retardo do pensamento e da ação, perda da libido, distúrbios do sono e do apetite.

O palestrante explicou, também, que algumas situações de estresse, problemas de saúde, medicamentos, distúrbios do humor, predisposição genética ou outras circunstâncias com exposição contínua ao cortisol (hormônio do estresse) podem provocar reações químicas no cérebro que afetem o crescimento celular, as conexões entre os neurônios e/ou o funcionamento do circuito cerebral.

Por fim, Thiago Novotny falou sobre os diferentes tipos de fármacos antidepressivos, que só podem ser consumidos mediante prescrição médica especializada; como atuam no cérebro; efeitos adversos mais comuns; fases do tratamento e objetivos de cada uma; riscos e atenções, pois a retirada abrupta destes medicamentos pode provocar retorno dos sintomas e recaída do paciente.

“Embora os fármacos antidepressivos provoquem respostas imediatas no aumento da liberação de neurotransmissores, o paciente só percebe algum efeito após várias semanas, porque é necessário tempo para que os neurônios cresçam e formem novas terminações nervosas e novas conexões celulares”, informou.

A palestra integrou o evento Depressão e trabalho: uma combinação perigosa, em referência à campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. As atividades do INCQS são abertas ao público geral, gratuitas e sem necessidade de inscrição prévia.

Foto: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)