Publicado em 23/09/2019.

Por Penélope Toledo (INCQS/Fiocruz)

Arte: Leandro Nunes Pontes (INCQS/ Fiocruz)

Atento à diversidade e à necessidade de inclusão, o INCQS/Fiocruz possui em seu quadro de trabalhadores 16 profissionais com deficiência auditiva, ligados ao Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro (CVI-Rio), alocados nos laboratórios dos quatro departamentos técnico-científicos do Instituto – Departamenfo de Farmacologia e Toxicologia (DFT), Departamento de Imunologia (DI), Dpartamento de Mircrobiologia (DM) e Departamento de Química (DQ) -, bem como na Central de Recebimento de Amostras (CRA).

Além disto, em uma iniciativa pioneira na Fundação, o Instituto criou sua Comissão Interna de Respeito à Diversidade, com o objetivo de propor, implementar e monitorar as ações internas do Instituto relativas aos temas étnico-racial, gênero, violência, inclusão e acessibilidade.

Uma das trabalhadoras do INCQS com deficiência é Cristina Michiko, da Sala de Amostras. O INCQS foi o seu primeiro emprego, no qual ela permanece há 25 anos. Neste tempo, segundo contou, ela melhorou conseguiu desenvolver melhor a sua fala oral, bem como por libras:

“É muito difícil para uma pessoa com deficiência conseguir um emprego lá fora, pois não nos dão muitas oportunidades. O INCQS me salvou e, além de tudo, é um lugar lindo”, declarou.

Carlos Renato Lucena Brito, do DI, concorda sobre a dificuldade de conseguir emprego em outros locais. Além disto, conforme informou, há pouca estrutura para receber a pessoa com deficiência (PCD):

“Já trabalhei em outros locais, mas gosto mais daqui do INCQS. Uma das vantagens é que têm profissionais que falam em libras. E os que não falam, têm paciência para nos entender e nos e ensinar os trabalhos”, disse.

Maria Betânia Brito de Souza, do DFT, funcionária da Casa há 24 anos, também elogiou o tratamento que recebe:

“Eu gosto muito do INCQS e dos colegas de trabalho. Estou no Instituto desde 1995 e pretendo ficar mais. Somos 16 pessoas com deficiência auditiva”, reforçou.

Além disto, o INCQS planeja desenvolver obras para facilitar a mobilidade de deficientes físicos e tem a questão da acessibilidade pautada no processo de reformulação de seu site institucional, com adaptações como navegação pelo teclado, visualização em alto contraste, ampliação ou redução do tamanho das letras e teclas de atalho, dentre outras.

Mayara Rosa, a “novata” na turma, do DM, está no INCQS há cinco anos. No Instituto ela adquiriu a experiência profissional e se desenvolveu socialmente, passando a interagir mais com os colegas de trabalho. Ela se diz satisfeita, mas acredita que a estrutura para as pessoas com deficiência auditiva possa ser aperfeiçoada:

“Aqui eu aprendi muito, tudo o que sei profissionalmente, foi o INCQS que me ensinou. Acho que algumas coisas podem melhorar para que as PCDs sejam mais incluídas, como por exemplo, ter mais tradutores em libras nos eventos institucionais”, apontou.