Publicado em 10/09/2019.

Por Penélope Toledo (INCQS/Fiocruz)

Fotos: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/Fiocruz)

“Quem desconfia fica sábio”, “Viver é um rasgar-se e remendar-se”, “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Estas frases, escritas pelo escritor mineiro Guimarães Rosa, definem os 38 anos do INCQS/Fiocruz e a História do Brasil, de acordo com a palestrante Daniella Guimarães de Araújo, farmacêutica, sanitarista e escritora, em 6 de setembro, nas comemorações do aniversário do Instituto.

Intitulada Guimarães Rosa - saúde, território e arte: confluências, a palestra foi dividida em três momentos: a exposição Diálogos sobre as experiências do projeto Saúde e Literatura, com foco em Guimarães Rosa, homenageado no 8º Simbravisa (Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária), exibição de um trecho do curta-metragem Riobaldo e Diadorim (Anita Leandro/UFRJ) e projeto Cartas para Guimarães Rosa.

O evento contou com a participação do coordenador de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência da Fiocruz, Rivaldo Venâncio da Cunha, representando a Presidência da Fundação e do presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc-SN), Paulo Garrido.

“Quem leu Guimarães Rosa tem a vida impactada por sua obra. Ele é um patrimônio da cultura nacional, assim como o INCQS é um patrimônio da sociedade brasileira”, definiu Rivaldo.

Diálogos sobre as experiências do projeto Saúde e Literatura, com foco em Guimarães Rosa, homenageado no 8º Simbravisa:

Na apresentação, Daniella destacou que Guimarães Rosa foi considerado um dos dez maiores escritores do mundo e explicou que o sertanejo, personagem recorrente na obra do autor, simboliza o homem universal, que vive entre dualidades permanentes, como a saúde e a doença, a vida e a morte, o amor e a guerra, entre outras.

Ela também justificou a escolha do tema, enfatizando a necessidade dos profissionais de vigilância sanitária irem a campo para conhecer as “pessoas de carne e sangue” e o “país de mil-e-tantas misérias”, de acordo com as palavras do escritor; a característica roseana de ter trazido para a literatura os excluídos e marginalizados; e a importância, nos tempos atuais, da arte e do alento que ela proporciona.

Abordou, ainda, o projeto Saúde e Literatura: a literatura como alento, com foco em Guimarães Rosa, uma parceria do Núcleo de Vigilância Sanitária (Nuvisa), Superintendência Regional da Saúde (SRS) Sete Lagoas e Instituto René Rachou (Fiocruz Minas) que inclui a leitura dos textos do autor, reflexão conjunta sobre temas relacionados à saúde e à vida, e defesa do meio ambiente, dentre outras atividades com os trabalhadores de ambas instituições.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos: Arquivo Pessoal

Subprojeto Cartas para Guimarães Rosa:

O subprojeto Cartas para Guimarães Rosa, parte integrante do Saúde e Literatura, tem o intuito de estimular a escrita de cartas em meio físico, no modo antigo, bem como de fomentar a criação e circulação de cartas com estímulo à importância dos temas propostos.

A palestrante Daniella Guimarães de Araújo propôs o desafio de escrever uma carta simbólica à memória do escritor Guimarães Rosa, abordando um dos seguintes temas: 1- Literatura e arte em geral e 2- Saúde Pública no território.

Durante a palestra, Daniella exibiu a leitura da carta de uma moradora da região, Uiara Sabrina, narrando ao escritor a situação ecológica e social do local em que ele passou em 1952 e referenciou em sua obra. Uiara, moradora de Andrequicé-Três Marias, enfatizou que as veredas, tipo de formação vegetal que é tema do principal livro do autor, “quase não existem mais”.

A atividade das cartas terá sua culminância no 8 ° Simbravisa, em novembro. Depois serão analisadas e compiladas.

 

Projeto Saúde e Literatura:

O projeto Saúde e Literatura percursou pelas cidades do circuito roseano, percorrido pelo escritor em sua empreitada pelo sertão mineiro: Cordisburgo (8.667 habitantes), Morro da Garça (2.660 habitantes) e Andrequicé - Três Marias (2000 habitantes), nas quais a literatura é mediação para outras ações importantes de reconhecimento e desenvolvimento dos locais e sua população.

Daniella defendeu a potência criativa das atividades culturais desenvolvidas nesses locais como atividades promotoras de saúde.