Publicado em 17/10/2018.
Por Penélope Toledo (INCQS/ Fiocruz)

banner webArte: Leandro Pontes (INCQS/ Fiocruz)

Dia 17 de outubro é o Dia Nacional de Vacinação. A data foi instituída pelo Ministério da Saúde (MS) como forma de esclarecer e conscientizar a população sobre a importância deste método preventivo, que além de evitar e controlar doenças, ajuda a conter surtos e epidemias.

A chefe do Departamento de Imunologia (DI) do INCQS, Lúcia Werneck, explica que a vacina protege contra enfermidades provocadas por microrganismos como vírus e bactérias e que quanto mais gente estiver protegida, menos microrganismos circulam e, consequentemente, menor a chance das pessoas serem infectadas.

“É relevante afirmar que as vacinas são necessárias em todas as idades, dependendo da proteção desejada. Na infância, são contra poliomielite, sarampo, rubéola, caxumba, hepatite B, difteria, tétano e Pertussis, entre outras. Já os idosos devem se proteger contra a gripe, pneumonia e tétano. As mulheres em idade fértil, por sua vez, precisam ser imunizadas contra rubéola e tétano, principalmente”, especifica.

O Brasil é um dos países que oferece o maior número de vacinas gratuitas à população, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973 e parte do Sistema Único de Saúde (SUS). Graças à vacinação em massa, nosso país alcançou a erradicação da poliomielite e da varíola, bem como a diminuição da circulação do vírus autóctone do sarampo, desde 2000 e da rubéola, desde 2009.

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O papel do INCQS

Os imunológicos (soros e vacinas) distribuídos pelo SUS passam por fiscalização e controle de qualidade do INCQS. O Instituto tem a responsabilidade oficial exclusiva de fazer os testes para garantir a segurança e a eficácia dos produtos do PNI, antes que eles sejam encaminhados para o uso da população.

O coordenador dos Núcleos Técnicos (NTs) do INCQS, responsável também pelo NT de Produtos Biológicos (no qual estão inclusos os soros e vacinas), Eduardo Netto, explica que as vacinas são fabricadas utilizando-se o antígeno morto ou atenuado ou, ainda, partículas desse agente causador da doença. Por isto, o papel do INCQS na fiscalização e no controle da qualidade é tão importante.

Netto reforça a importância da vacinação:

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a imunização salva milhões de vidas e é amplamente reconhecida como uma das intervenções globais em saúde de maior sucesso e mais economicamente viáveis”, destaca.

Um pouco de história

O marco da história da vacina data de 1976, quando Edward Jenner imunizou um garoto de oito anos contra a varíola, inoculando na criança o pus de uma lesão na forma bovina da doença e, tempos depois, a secreção retirada de uma lesão provocada pela varíola humana.

No Brasil, a vacina contra a varíola chegou em 1804, trazida pelo Marquês de Barbacena.

O fato marcante, porém, foi um século depois, em 1904, quando o patrono da Fiocruz, Oswaldo Cruz, então diretor geral de Saúde Pública (correspondente hoje a ministro da Saúde) iniciou campanhas de saneamento e imunização para conter os surtos de varíola. O sanitarista tentou promover a vacinação em massa da população brasileira, recebendo duras críticas por parte da sociedade em geral.