Publicado em 21/09/2018.
Por Penélope Toledo (INCQS/ Fiocruz) 

Fotos: Pedro Paulo Gonçalves (INCQS/ Fiocruz) e Divulgação

 

Para celebrar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, comemorado em 21 de setembro (lei nº 11.133/2005), o Comitê Fiocruz Pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas Com Deficiência realizou o seu segundo encontro, no auditório Sérgio Arouca, do INCQS, em 20 de setembro.

A mesa de abertura do evento foi composta pelo representante do INCQS, Antonio Eugênio de Almeida; pelo chefe de gabinete da Presidência da Fiocruz, Valcler Rangel; pela representante da Coordenação de Gestão de Pessoas (Cogep), Andréa Luz; o representante do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (Dihs) da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Luiz Carlos Fabel; e a vice-presidente do CVI, Lilian Martins.

Fabel falou sobre o trabalho como "produtor" de pessoas com deficiência física, decorrente de acidente de trabalho (são 60mil casos por ano) e de autoestima, consequência de assédio moral. Andréa Luz falou sobre os avanços na Fiocruz para atender melhor às PCD, como a lei de cotas nos concursos públicos e a ampliação para a contratação de estagiários com deficiência, a partir de 2005. Antonio Eugênio, por sua vez, contou sobre a palestra Quando a vida muda de rumo, no aniversário do INCQS, cujo foco foi a adaptabilidade humana, e apontou a importância de se desenvolver acessibilidade.

“Aqui no nosso Instituto, temos excelentes profissionais com deficiência auditiva. É importante dar-lhes uma oportunidade e preparar-lhes para o mercado de trabalho. Um país, para ser desenvolvido, precisa pensar em todas as pessoas, sem exceção. Todo mundo necessita de chances para se desenvolver”, afirmou o responsável pelo INCQS.

Já Lilian Martins destacou a inclusão passa pela capacitação e desenvolvimento das pessoas para o trabalho. Por fim, Valcler enfatizou que a luta pelo enfrentamento de todas as formas de desigualdade é cotidiana e que a solução para os problemas só pode ser construído coletiva e democraticamente.

Na sequência, Sônia Gertner apresentou o Comitê Fiocruz Pela Acessibilidade e Inclusão das Pessoas Com Deficiência, discorrendo sobre a sua constituição, áreas de atuação (informação e comunicação, educação e pesquisa, infraestrutura e articulação) e desafios, como fortalecer a tese 11 do Congresso Interno da Fiocruz, sobre o tema; aumentar o papel da Fiocruz na promoção da equidade, realização de um seminário do Comitê etc. Também fez o lançamento da consulta interna para a elaboração de uma Política desta área.

A apresentação foi seguida pela mesa-redonda Direito à Saúde: desafios do SUS para pessoas com deficiência. Izabel Maior, do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência do RJ, fez uma apresentação sobre o tema, abordando, dentre outros aspectos, os modelos de deficiência biomédico e social, acessibilidade, serviços e apoios, políticas públicas e orçamentos, autonomia (equiparação de oportunidades), participação e inclusão.Ronaldo Marra, colaborador do Centro de Vida Independente da Fiocruz contou, em língua de libras, suas experiências e dificuldades enquanto portador de deficiência.

Por fim, o médico neurologista Annibal Amorim, falou sobre o olhar médico da situação, abandono de crianças deficientes no hospital em que trabalhou, problemas e soluções, bem como o cuidado com a palavra “deficiente”, que pode disseminar um conceito usado de forma pejorativa.

“A deficiência não está na pessoa, mas no olhar de quem a aprisionam com um rótulo”, declarou.

O evento foi encerrado com dança inclusiva do grupo Corpo em Movimento, da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef).

 

Fotos: Peter Ilicciev (CCS/ Fiocruz)/ Divulgação