Gabrielle Araújo (INCQS/Fiocruz)

Com baixa, ou nenhuma incidência em países desenvolvidos, as doenças tropicais negligenciadas (DTNs) são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Devido a isso, observa-se uma falta de interesse das indústrias farmacêuticas e de governos em pesquisar novos medicamentos ou investir em políticas públicas de saúde para frear a incidência de novos casos de males como dengue, leishmaniose, elefantíase, entre outras.

 

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A prevenção é uma das mais eficientes formas de combate contra as doenças infecciosas.
Na foto, criança é imunizada durante campanha Fiocruz pra Você (Crédito: Peter Ilicciev/Fiocruz).

 

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas em 2015 estima-se que cerca de um bilhão de pessoas tenham recebido tratamento para um tipo de DTN. Para combater problemas desse gênero, é necessária uma ação conjunta entre médicos e cientistas de diferentes áreas de atuação, como biólogos e infectologistas. O biólogo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Vigilância Sanitária do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) da Fiocruz, Ivano de Filippis, possui experiência em epidemiologia e diagnóstico molecular de doenças infecciosas. Em comemoração ao dia do infectologista, ocorrido no último 11/04, Ivano comenta que a OMS realiza desde 2007 diferentes ações para o tratamento dessas enfermidades, porém, o caminho a percorrer ainda é longo.

 

1. A doenças negligenciadas são consideradas endêmicas em populações de baixa renda. Em relação a esse grupo, você acredita que exista diferença de investimento do governo em pesquisas e ações preventivas?

Ivano de Filippis: Para algumas dessas doenças existe tratamento e prevenção, mas não há interesse das indústrias farmacêuticas e governos em pesquisar novos fármacos ou investir em políticas de saúde pública nessas populações. A Organização Mundial da Saúde, divulga uma lista das principais doenças consideradas negligenciadas, e promove ações para o seu combate.

 

2. Quando é aconselhável procurar um infectologista?

Ivano de Filippis: Os sintomas iniciais das doenças infecciosas e daquelas causadas por outros agentes, são similares. É importante portanto, que o paciente procure um médico especializado em clínica geral para ter um direcionamento mais correto sobre a possível causa da doença. Com um diagnóstico preventivo apontando para uma possível doença infecciosa causada por bactéria, vírus, fungo, protozoário ou parasita, o paciente pode procurar um infectologista para que o tratamento seja iniciado rapidamente e direcionado para o combate do agente etiológico de forma mais efetiva.

 

3. Quais são as principais doenças tratadas na infectologia?

Ivano de Filippis: Qualquer doença causada por um agente infeccioso pode ser tratada por um infectologista. Atualmente no Brasil as doenças infecciosas mais comuns são as viroses transmitidas por mosquitos (dengue, zika, chikungunya, febre amarela), viroses respiratórias como a gripe, viroses infantis, bacterioses (tuberculose, meningites, pneumonias, infecções em feridas), micoses (fungos), diarreias causadas por vírus, protozoários, bactérias e helmintos (verminoses) e doenças sexualmente transmissíveis (DST), que são causadas principalmente por vírus e bactérias (AIDS, hepatite, gonorreia, sífilis, clamídia, herpes, etc).

 

4. Como você avalia a situação do INCQS em relação a promoção de melhorias na saúde da população?

Ivano de Filippis: O papel do INCQS como controlador dos produtos empregados na prevenção e no tratamento de doenças na população, é de grande importância, pois a qualidade desses produtos é imprescindível para o sucesso do tratamento. Qualquer medicamento como uma vacina ou um antibiótico, precisa ter sua capacidade de atuação sobre o agente infecioso comprovada por um órgão público independente, para não haver dúvidas quanto à sua eficácia terapêutica. Além da eficácia, a toxicidade desse medicamento também precisa ser avaliada para não trazer mais problemas para o paciente. Com o desenvolvimento de novos fármacos e vacinas, é importante que o INCQS esteja sempre atualizado nos testes de Controle da Qualidade para garantir e promover a saúde da população.

 

História

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) estabeleceu o dia 11 de abril como o Dia do Infectologista. Com o objetivo de homenagear os profissionais do ramo, a data em questão foi escolhida por ser o aniversário de Doutor Emílio Ribas, renomado médico atuante no campo das doenças infecciosas.