Publicado em 05/11/2026.
Por Maria Fernanda Romero (INCQS/Fiocruz)
O INCQS/Fiocruz participou do I Encontro Técnico-Científico de Controle do Tabaco, realizado nos dias 27 e 28 de outubro, em evento promovido pela ACT Promoção da Saúde. O encontro reuniu pesquisadores, profissionais de saúde e representantes do poder público e da sociedade civil para debater pesquisas e estratégias de divulgação sobre os riscos associados ao tabaco.
Durante a programação, o Setor de Elementos Inorgânicos do Laboratório de Alimentos, vinculado ao Departamento de Química (DQ) do INCQS, apresentou dois trabalhos científicos: 'Avaliação de contaminantes inorgânicos em produtos fumígenos ilícitos apreendidos no Brasil' e 'Determinação de elementos potencialmente tóxicos em e-liquids de dispositivos eletrônicos para fumar'.
O primeiro estudo analisou amostras de produtos fumígenos ilícitos, provenientes de apreensões da Receita Federal, e identificou a presença de elementos potencialmente tóxicos, como arsênio, cádmio, chumbo, níquel, cromo e mercúrio. Entre os resultados, os cigarros de palha apresentaram os maiores teores de cinco dos seis elementos avaliados.
Já o segundo trabalho investigou dispositivos eletrônicos para fumar do tipo pod (dispositivos compactos que utilizam cartuchos com líquidos transformados em aerossol para inalação), de oito marcas e diferentes sabores. As análises identificaram elementos de interesse toxicológico, como chumbo, níquel, zinco e cobre, com concentrações elevadas em determinadas amostras.
Além da apresentação dos trabalhos, Lisia Maria Gobbo dos Santos, chefe do Departamento de Química do INCQS, participou da mesa 'DEFs no laboratório: análise de substâncias e riscos à saúde'.
Para Cristiane Barata Silva, servidora do Setor de Elementos Inorgânicos, a participação no encontro reforça a importância das análises laboratoriais para a produção de conhecimento científico e o fortalecimento das ações de vigilância sanitária.
“Os resultados demonstram a importância do monitoramento da composição dos produtos fumígenos, incluindo aqueles comercializados ilegalmente e os dispositivos eletrônicos para fumar. A identificação de elementos potencialmente tóxicos contribui para ampliar o conhecimento sobre os riscos associados a esses produtos e gerar evidências científicas que possam subsidiar ações de vigilância sanitária e de proteção à saúde pública”, explica.
Foto: Arquivo Pessoal